Escola de Filosofia Chinesa - Integrada a Wu Xing Clínica

Doenças da tecnologia virtual

Doenças da tecnologia virtual

 

Confesso dificuldade em encontrar o título deste artigo, receando não seja bem recebido. Mas o receio cede diante da necessidade de alertar as pessoas que ainda não perderam a capacidade de raciocinar e, graças a isto, precaver-se de doenças físicas e emocionais que podem ser evitadas.

Por primeiro, asseverar que  os maiores usuários dos  dispositivos tecnológicos móveis – computadores, celulares, tablets e outros – quando não como instrumento  para o trabalho, revelam falta de vida interior e boa dose de carência afetiva.   São pessoas solitárias, embora tenham facilidade de conquistar relações sociais, quase sempre superficiais. Daí o apego às promessas e bondades virtuais (ilusórias).

Mas não é o lado emocional, exclusivamente,  que pretendo examinar, mas as repercussões dessa prática moderna, na saúde de adultos e adolescentes, os mas adeptos da nova ferramenta.

Não há como negar que essa tecnologia tem facilitado ( e muito) várias atividades do nosso dia-a-dia. Além de nos manter informados por 24 horas diárias, sete dias na semana sobre os principais acontecimentos do mundo, podemos trocar mensagens com nossos amigos distantes, namorar, assistir vídeos, publicar textos, fotos e outras coisas. São imensos os benefícios.

Mas tanta tecnologia – mal usada – pode trazer inúmeras desvantagens à nossa saúde e qualidade de vida, principalmente se utilizada  durante muitas horas do dia ou à noite.

Relatórios da Associação Médica Canadense, Universidade de Toronto do Canadá, Universidade de Keio do Japão, além das Universidades de Michigan e  Washington, estas dos Estados Unidos, afirmam, por vertentes diversas, que o usuário dessas tecnologias dificilmente as fazem caminhando,  fica imóvel, aumentando  as chances de engordar. Sabe-se que o sedentarismo é causa de obesidades, diabete, contraturas musculares (câimbras, tensão na nuca e pescoço como se estivesse queimando, dores braços e ombros), além dos sintomas de insônia, secura lacrimal, hipertensão arterial, depressão, alteração do comportamento ( irritação, ansiedade e medo), nomofobia – pânico ou desespero -  e uso de drogas lícitas ou não.

O excessivo uso de  cigarro, álcool e calmantes, como  ritalina (sertralina, fluoxetina, etc – e a cocaína pode ser o passo seguinte) entre crianças e jovens são provas do estado de tensão e sedentarismo. Já viram atletas fumantes? Atividade física expulsa os vícios da letargia.

Como essas atividades não podem ser feitas caminhando,  o tempo que se fica sentado estimula a adrenalina (as imagens) e a consequente vontade de ingerir alimentos calóricos, próprios da modernidade.

O uso excessivo também cria distúrbios alimentares, pois seus adeptos mais fervorosos  esquecem de se alimentar ( muito magros) , ficam comendo por muito  tempo  ou  comem apressadamente, sem mastigar (gordinhos), prejudicando as funções do estômago, baço, pâncreas e intestino.

Pesquisa do jornal da Associação Médica Canadense com 150 mil adultos mostrou que o uso excessivo de aparelhos eletrônicos, inclusive televisão, aumentou em 09 centímetros a cintura dessas pessoas, sinalizando propensão à obesidade e diabetes. Em termos percentuais e proporcionais, é de 3,4% essas doenças nas famílias sem tecnologia e 14,5% daquelas mais apegadas às novidades tecnológicas.

Não fossem os prejuízos à saúde, diretamente, ainda temos os sintomas mais demorados e difíceis de diagnosticar. Refiro-me ao tempo excessivo diante da tela luminosa dos aparelhos. 

A excessiva exposição à tela luminosa, segundo o oftalmologista Yuichi Uchino, Universidade japonesa, causa danos ao filme lacrimal, diminuindo a produção de lágrimas, essenciais para lubrificar os olhos e mantê-los limpos.

O excesso de luminosidade diminui em muito a visibilidade. É por isso que os soldadores das metalurgias usam óculos escuros para o serviço, assim como os de olhos claros precisam de lentes escuras para enfrentar a claridade do sol durante o verão.

Constatou a pesquisa que os jovens que passam muito tempo conectados às redes sociais têm mais propensão a desenvolver depressão, porque recebem sobrecarga de informação ( mais enganosas  que verdadeiras), aumentando a ilusão e a frustração, pois se acham impotentes para realizar toda a propaganda das “possibilidades. A depressão nada mais é do que a raiva, frustração e decepção reprimidas por bom tempo.

Por fim, como o acesso às redes sociais, em demasia, abre as portas do mundo, enquanto possibilidades ( distantes) a  cada minuto, cria ansiedade e dificuldade de concentração.

Essa a primeira razão para baixo rendimento escolar e atitude de desânimo de boa parcela dos jovens, os quais perdem a vontade e capacidade para raciocínios lógicos, coerentes e boas leituras. Nem sequer conseguem silenciar por muito tempo, parecendo ter medo do silêncio (solidão), situação que justifica sons barulhentos.

Em conclusão, não acho que devamos censurar ou proibir o uso, mas é urgente e indispensável que pais, educadores e formadores de opinião questionem os excessos, não em discurso repressivo, mas sobre a necessidade e utilidade do meio eletrônico, fazendo-se as devidas ponderações.      

Mestre Shen 24/06/2016